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E is aqui uma discussão possibilitada pela estabilidade macroeconômica. Este sempre foi um tema que eu gostaria de abordar, porém as circunstancias econômicas sempre apontaram para outra direção, para problemas mais concentrados no curto prazo. É óbvio que altas taxas de juros possuem efeitos restritivos no curto prazo, mas a discussão que faremos aqui tem outro foco.

É necessário ressaltar que vivemos um momento extremamente favorável na economia mundial. As principais economias desenvolvidas têm convivido com juros baixíssimos e bolsas de valores em níveis recordes, o que direciona mais recursos para o mundo subdesenvolvido, que oferece investimentos mais vantajosos. Além disso, a política monetária do atual presidente do Banco Central do Brasil (Bacen), Ilan Goldfajn, permitiu uma redução vertiginosa da taxa de juros (SELIC).

Contudo, conforme o ranking de juros mundiais elaborado pela Infinity Asset Management em parceria com o portal MoneYou, ainda temos a 5ª maior taxa de juros do mundo, seja em termos nominais ou reais (quando, basicamente, se subtrai a inflação) e ela é 2x maior que a de outros países subdesenvolvidos como África do Sul e Indonésia em termos reais. Além disso, o mundo desenvolvido possui atualmente taxas reais (e em alguns casos até nominais) negativas.

Os altos déficits públicos fazem com que o mercado se torne mais cético em relação à capacidade do governo de pagar suas contas além de demandar mais recursos para sua dívida, enquanto a baixa taxa de poupança interna torna os recursos para financiamento mais caros e torna o pais mais dependente do financiamento externo.

Em geral, os países subdesenvolvidos possuem 3 características que tornam suas taxas de juros mais altas que as dos países desenvolvidos: inconversibilidade da moeda, insegurança jurídica e déficits públicos ou da balança de pagamentos crônicos. A inconversibilidade da moeda se trata da incapacidade de usar a moeda nacional nas transações internacionais (o Brasil precisa de dólares para realizar suas transações internacionais). Como se trata de um problema de todos os países em desenvolvimento, não podemos afirmar que este elemento explica a diferença de juros entre o Brasil e a África do Sul, por exemplo.

A insegurança jurídica pode explicar uma parte da alta e juros, porém muitos esforços foram realizados para reduzia-la no Brasil desde o Plano Real, dando mais segurança ao investidor internacional, o que nos leva a crer que o principal elemento que nos condiciona são os altos déficits públicos em correlação com a baixa taxa de poupança interna.

Portanto a reforma da previdência e outras medidas de ajuste fiscal aliadas a políticas para incentivar a poupança privada são os caminhos para reduzir os altos juros brasileiros que tanto assolam nossa economia, reduzindo a geração de emprego e renda.]

Por Alef Henrique