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No dia 15 de Setembro de 2008, a quebra do Lehman Brothers, um dos maiores bancos do mundo, marcou a maior crise do sistema capitalista desde a depressão de 1929. Na tentativa de evitar o aprofundamento da crise, os bancos centrais ao redor do mundo injetaram doses maciças de dinheiro em suas economias a taxas de juros baixíssimas ou até zeradas para estimular a atividade econômica. Estima-se que desde 2008 foram injetados US$ 12 trilhões na economia mundial. A priori, a injeção de liquidez evitou um desastre ainda maior do que o que ocorreu a 7 anos atrás, mas há indícios de que essa tentativa de salvar a economia mundial pode ter apenas adiado o problema, criando uma “bomba-relógio” que pode estourar a qualquer momento e abalar novamente a economia mundial. Bolhas de ativos financeiros, altas alavancagens de bancos centrais e desaceleração da economia chinesa podem ser os ingredientes de uma nova crise financeira mundial.
O crédito barato faz com que as pessoas se endividem mais para consumir, e ocorre o mesmo com mercado de capitais. Bancos e investidores se endividam mais para comprar ações e demais ativos, inflando seus preços. As bolhas se formam quando os preços desses ativos se descolam da realidade.  Esse descolamento é medido pela comparação entre o preço do ativo e seu retorno. O índice S&P 500 mostra a maior distância entre os preços das ações e os lucros das empresas desde a crise de 2008. Caso o mercado reajuste os preços das ações aos lucros, bancos podem ir à falência devido à perda de valor de seus ativos. Além dos bancos privados, a expansão monetária pode colocar em risco os bancos centrais, devido ao alto grau de alavancagem gerado pela expansão. O Federal Reserve, banco central americano, tem atualmente uma alavancagem de 77 para 1. Seus ativos totalizam US$ 56 bilhões enquanto seu passivo é de US$ 4,3 trilhões. Antes da crise de 2008, a alavancagem do Federal Reserve era de 22 para 1. Esse é apenas o mais emblemático dos exemplos.
Além da bolha dos ativos e do endividamento dos bancos centrais, a desaceleração da economia chinesa pode contribuir para o agravamento da crise. A segunda maior economia do mundo vem crescendo com taxas decrescentes e muitos apontam uma fraude no crescimento chinês, a partir do impulso artificial à construção civil. Atualmente a construção civil corresponde a 50% do PIB chinês, enquanto nos EUA pré-crise a participação do setor era de 17%. Além disso, o tempo médio para quitar um empréstimo habitacional na China é de 18 anos, enquanto nos EUA pré-crise era de 4,3 anos, ou seja, os endividamentos da população chinesa são mais longos e pesados que os dos EUA, e o não pagamento dos empréstimos, como ocorreu em 2008, teria impacto muito maior na economia chinesa.
Se realmente ocorrer o “estouro” dessa bolha que está se formando, os impactos serão fortemente sentidos em nossa economia, independentemente dos fundamentos internos, pois somos muito dependentes do setor externo devido à fundamental importância da exportação de commodities em nossa economia. O atual desarranjo da economia interna só catalisaria o efeito de uma eventual crise. A crise externa que o PT tanto culpou no período eleitoral agora pode se tornar uma realidade.