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Com o impedimento da presidente Dilma Rousseff cada vez mais próximo, o atual vice-presidente Michel Temer já tem realizado a articulação política para seu provável governo, e o mercado tem gostado muito dos nomes que são ventilados pela imprensa para os principais cargos da política econômica, e dentre esses cargos está a presidência do Banco Central do Brasil, a principal autoridade monetária do país.
Mas você pode se perguntar “Por que Temer quer mudar o presidente do BCB (Banco Central Brasil)?” Para isso, temos de entender o objetivo do BCB e como tem sido a atuação do atual presidente, Alexandre Antonio Tombini à frente da autarquia explicando de maneira muito sucinta e rápida, a política monetária aplicada pelo Banco Central tem como base o sistema de metas de inflação, onde utilizando a taxa básica de juros (A Taxa SELIC) a autoridade monetária tem como objetivo manter a inflação dentro de um determinado “intervalo”, que é composto por uma meta e uma banda de variação (para 2016, por exemplo, a meta é 4,5% e a banda é de 2 pontos percentuais, ou seja, a inflação deve ficar entre 2,5% e 6,5%).
Para que a inflação convirja o que a autoridade monetária almeja com maior facilidade, a autoridade deve se comunicar e agir claramente para conquistar a confiança do mercado e consequentemente reduzir a expectativas inflacionárias. Com isso, é necessária uma taxa de juros menor para que seja alcançada a meta de inflação, possibilitando financiamentos mais baratos para empresas e famílias que desejam investir/consumir, aumento da atratividade de investimentos produtivos se comparados a aplicações financeiras atreladas à taxa de juros, dentre outros efeitos positivos para a economia que uma queda da taxa de juros proporciona.
Porém, se comunicar e agir claramente não foram as marcas de Alexandre Tombini como presidente do Banco Central do Brasil. Ele assumiu o cargo em janeiro de 2011, com o objetivo de manter o excelente trabalho executado por Henrique Meirelles desde 2003 e de conter as pressões inflacionárias que começavam a surgir com a implementação da “Nova Matriz Econômica”. Com grande reputação acadêmica, inclusive no estudo do sistema de metas de inflação, Tombini teve uma gestão marcada por uma tentativa mal sucedida de reduzir os juros induzida pela presidente Dilma e pela má comunicação com o mercado. Em 2015, a inflação fechou em 10,67%, a maior em 10 anos e muito acima da meta de 6,5%, mesmo com um crescimento negativo do PIB de 3,8%, que em tese geraria uma pressão deflacionária.
Alexandre Tombini é mais um economista que teve sua imagem manchada por participar de uma equipe econômica que nos colocou na pior crise desde a ditadura militar. A esperança é que o nome escolhido por Temer restaure a credibilidade do BC, possibilitando um controle da inflação com uma taxa de juros menor, aliviando as já combalidas contas públicas e possibilitando uma retomada do crescimento nos próximos anos.

Por Alef Dias