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Titular da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, o médico e bioquímico ANÍBAL EUGÊNIO VERCESI  é um pesquisador dos processos moleculares e de doenças degenerativas, reconhecido internacionalmente.

ANÍBAL EUGÊNIO VERCESI é, de fato, um médico diferenciado. Suas buscas transcenderam consultórios e adentraram a investigação científica. Graduou-se em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e sempre se interessou em entender os processos moleculares envolvidos na conversão da energia que as células retiram dos alimentos para funções vitais.
Há mais de 30 anos se dedica às pesquisas. Aos 63 anos, é também bioquímico, titular da Faculdade de Ciências Médicas da universidade campineira. Sua atenção é voltada ao estudo de diversos modelos experimentais de animais, plantas, parasitas e fungos.
Vercesi concluiu a graduação em 1972, com 95% da tese de doutorado pronta. O estudo defendido em 1974 indicava que as mitocôndrias (estruturas responsáveis por converter a energia dos alimentos em energia celular) tinham papel muito importante na regulação de cálcio no interior das células. Ávido pela busca do conhecimento, Vercesi realizou seu pós-doutorado pela Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins entre 1976 e 1980.
O estudo mais recente de Vercesi aponta como o estresse oxidativo mitocondrial pode ser um fator causador de acúmulo de colesterol nos vasos sanguíneos na aterosclerose. Com a compreensão da parte bioquímica desse processo, os pesquisadores poderão interferir diretamente na prevenção de doenças provocadas por índices elevados de colesterol e triglicérides e no desenvolvimento de medicação cada vez mais eficiente para combater as patologias.
“Com os meus primeiros estudos cheguei a resultados que indicavam que o cálcio poderia ser tóxico para a mitocôndria, se estivesse acima de uma concentração chamada fisiológica”, diz ele. Segundo ele, na época, a mitocôndria era considerada a usina de energia da célula por produzir um composto denominado ATP (adenosina-trifosfato). “Mostramos no trabalho que o cálcio em grandes quantidades é tóxico para a mitocôndria, e hoje sabemos que isso conduz à morte celular”, ressalta o cientista.
Nos anos 1990, Vercesi foi reconhecido internacionalmente pelo pioneirismo de mostrar a produção de calor pela mitocôndria de plantas, por meio de uma proteína que era considerada existente somente em animais. “Em nossos trabalhos com mitocôndrias de plantas, observamos algumas semelhanças na respiração destas mitocôndrias com as de tecido adiposo marrom”, diz.
Outro passo nas suas pesquisas do médico é o estudo de doenças degenerativas. “A minha luz no fim do túnel para entender a fisiopatologia destas doenças é o poro de transição de permeabilidade na membrana da mitocôndria associado ao estado oxidado do NADP e a alteração na homeostase do cálcio”, informa ele. No diabetes, as células pancreáticas que produzem insulina parecem morrer por esse mesmo mecanismo. O excesso de gordura também aumenta o estresse oxidativo. “A maioria das doenças degenerativas tem natureza inflamatória. Um evento comum às doenças inflamatórias é o excesso de radical livre devido à deficiência de antioxidantes”, explica.
Naturalmente, suas descobertas fazem a diferença em todo o mundo.