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Passa-se quase despercebido em todos os lugares onde existem crianças a presença constante de babás, avós ou tias como cuidadoras e responsáveis por seus pequenos. Acreditava ser completamente normal essa situação, até o momento em que resolvi me aprofundar mais nessas relações. Tenho que admitir que cada caso é um caso e cada família tem o seu combinado, explícito e implícito com seus cuidadores. Tem mães que deixam seus filhos com as avós, que deixam com a tia, que deixam na escola e que deixam com as babás. Até aí tudo bem, pois delegamos a alguém que julgamos de extrema confiança a tarefa de cuidar de nosso bem maior, nossos filhos.
Porém, se observamos mais atentamente essas relações, onde a criança convive muito mais com o cuidador do que com sua própria mãe, constata-se que a criança desenvolve por esse responsável um afeto e uma confiança que somente na vivencia diária, nos problemas cotidianos e nas resoluções de pequenos conflitos emocionais que é possível se formar.
Ouvi diversos cuidadores dizendo que quem dá ordem em casa são elas, e que as mães muitas vezes nem contestam, pois sabem que os cuidadores têm mais autoridade sobre a criança, devido maior convívio. Bem como a criança, quando precisa da autorização para alguma coisa, é ao cuidador para quem ela vai pedir, não para os pais. Há relatos de cuidadores dizendo que a criança liga para ela no final de semana para pedir autorização para mudar determinada situação em sua rotina semanal, e não para mãe, que não tem como responder sobre os compromissos escolares ou rotineiros da criança. Até conflitos como bullying e intervenções pedagógicas seus cuidadores estão assumindo.
E aí que entra meu espanto. A quem essas crianças estão se reportando? A quem realmente queremos que elas se vinculem emocionalmente? A que custo estamos abrindo mão de oferecermos o que é de mais importante na formação de nossos filhos, que é o afeto, a confiança e o vínculo que nada no mundo pode interromper? Não estou desmerecendo o papel de cuidador, muito pelo contrário, porém eles podem estar em uma área que cabe aos pais se esforçarem para ocupar. Realmente é muito confortável para nós que trabalhamos semanalmente que alguém cuide de nossos pequenos, mas tudo tem seu lugar e seu tempo.
Pensamos em tudo que podemos dar de melhor para nossas crianças. A melhor escola, inglês, natação, balé, etc. Mas não podemos esquecer do fundamental: o afeto, o abraço, a proteção e acima de tudo, a confiança. Não podemos perder mais tempo para investirmos nesses valores que nossos pequenos tanto precisam. Acredito que buscar o equilíbrio entre a correria do dia a dia e a qualidade de tempo que estamos com eles, regados a carinho e amor, seja o caminho para crianças mais felizes e emocionalmente seguras.