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Médica e presidente do Boldrini, seu trabalho é uma busca incessante pelo bem coletivo por meio de pesquisas em prol do câncer infantil. Um trabalho magistral!

Incansável, positiva, esperançosa, emotiva. São muitos os adjetivos que definem a pediatra especialista em oncologia e hematologia Silvia Regina Brandalise, presidente do Centro Infantil Boldrini, sediado em Barão Geraldo. Todas as palavras ainda serão poucas frente ao seu trabalho magistral, voltado integralmente ao coletivo.
Ela, no entanto, descarta o status de ‘sonhadora’. Busca na realidade todas formas de fazer o bem por meio da medicina e da filantropia. Une razão, emoção e precisão nos verbos ajudar, ensinar, pesquisar e trabalhar. Não à toa, tem no currículo uma série de especialidades, cargos e atributos que fazem dela uma mulher especial e absolutamente vital, lutando pela vida de milhares de crianças, todos os dias. “Minha busca é descobrir sempre”, diz.

“ Investirei minhas energias para desenvolvermos centros de ponta para compreender e tratar todos os diagnósticos. A pesquisa precisa crescer”

Aos 68 anos, paulistana, mãe de quatro filhos e cinco netos, residindo em Campinas há 42 anos, ela construiu na cidade uma carreira singular. Pediatra formada pela Escola Paulista de Medicina, é professora há 40 anos no Departamento de Pediatria da Unicamp, dedicando-se ao ensino e à pesquisa. É também coordenadora do Centro Integrado de Pesquisas Onco-Hematológicas da Infância (CIPOI). Mas entre seus principais feitos está o Boldrini. Silvia foi uma das fundadores da entidade, em 1978. Ali, uma grande paixão se nutre a cada dia.
Atualmente, em sua quinta gestão como presidente administrativa, busca sucessores. Parar de trabalhar, jamais. A quantidade de tarefas é grande. O tempo escorre pelas mãos. Aprendeu a delegar, naturalmente. Nas horas vagas? O lazer é ler e pesquisar.  “Cada vez me envolvo mais com as crianças e com a medicina. Muitas conquistas existiram, mas o que resta fazer ainda é muito”, diz ela.  É este ‘ainda’ que move a médica. “Estamos engatinhando nas descobertas científicas, precisamos ir além. Investirei minhas energias para desenvolvermos centros de ponta para compreender e tratar todos os diagnósticos. A pesquisa deve ser incessante”, diz ela.
Silvia pertence a várias sociedades cientificas nacionais e internacionais, desempenhando funções administrativas e de assessoria científica. É fundadora e secretária geral da Sociedade Latino Americana de Oncologia Pediátrica (SLAOP). Na área de pesquisa, sua equipe do CIPOI dedica-se aos estudos da imunologia do câncer e de novos princípios ativos contra o câncer infantil. No Boldrini, as pesquisas são direcionadas ao Projeto Genoma, vinculado à FAPESP.
E não é só: ela é membro do International Childhood Cancer Consortium (I4CCC), liderado pelos Estados Unidos, Austrália, Inglaterra e China e integra um grupo internacional de trabalho na Organização Mundial da Saúde, que discute políticas públicas de prevenção e controle do câncer da criança e do adolescente . São poucos os médicos da América Latina a participarem deste grupo.
Entre tantas escolas, ela é categórica: “meus maiores professores são as crianças”.
A esperança se renova. “Acredito naquela ‘luzinha’ no fim no túnel”, diz. “Mas não sonho, tenho demandas que cutucam a cada instante um pedaço do coração e da alma”.
No limiar constante entre a morte e a vida, ela tem uma profunda crença em Deus. Não se esquece em momento algum de quem se foi. Acredita, contudo, que a morte pode ser um alívio para quem sofre. “Viver a qualquer preço não pode”.
Quanto às dores, o remédio, para ela, é deixar a coração no presente e a cabeça no futuro. E segue com a poética frase de Henfil de que “se não houver frutos, valeu a beleza das flores. Se não houver flores, valeu a sombra das folhas. Se não houver folhas, valeu a intenção das sementes”.

Silvia Brandalise: medicina, filantropia e amor

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